A Sabedoria das Abelhas
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Aug 31, 2026
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Filosofia
Texto Reflexívo
Caraumã
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Uma reflexão sobre mudança, desapego e a unidade entre todos os seres, inspirada nas abelhas e na Fonte da Vida.
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Post
Caríssimas leitoras e leitores, nesta última semana, aqui nos laboratórios de física experimental da Universidade Federal de Roraima, onde trabalho, ao lado do aeroporto de Boa Vista, testemunhei uma cena que me fez novamente silenciar e contemplar a harmonia da Vida.
Um enxame de abelhas migrantes tomou lugar junto à central de ar-condicionado na parte externa da sala onde fico. Quem diria, logo elas, que constroem suas formosas e impecáveis casinhas de abelha sabiamente esculpidas, agora mudavam de endereço.
Vindas da mata densa que rodeia a região, elas encontraram ali, naquele filete de água e frescor que escorre do equipamento metálico barulhento, o abrigo e a umidade de que precisavam.
Quando migram as abelhas, dizem os mais velhos, é o sinal silencioso e preciso de que o período de seca está batendo à porta em Roraima com suas últimas pancadas de chuvas.
Bom, enquanto as observava, percebi que aquelas abelhas estavam, de certo modo, desabrigadas, mas não perdidas. Em graciosa harmonia faziam apenas o que a inteligência da natureza exige que seja feito: rompiam com um ciclo antigo, aceitavam a mudança e moviam-se em busca de continuidade e sobrevivência em um novo ciclo.
Essa imagem ganha mais força hoje, último dia do mês.
Assim, como as abelhas do campus Paricarana deixaram para trás sua antiga colmeia para garantir a vida no tempo da seca, nós também somos convidados a desatar os nós do passado para que o novo possa florescer.
Portanto, convido você a olhar além das aparências e fazer um pacto com o silêncio. Deixe de lado, ainda que por cinco minutos, as crenças antigas e teorias que lhe ensinaram sobre o mundo ou como as pessoas são. Lembre-se que para receber o frescor de um novo dia, é preciso esvaziar os vasos da mente. Afinal, como bem sabemos, não se põe vinho novo em odres velhos.
Hoje, nossa reflexão trata de uma crença que atravessa os séculos: a de que D-us habita um trono distante feito de nuvens, agindo como um juiz severo e atento apenas para anotar as nossas falhas.
Mas é possível que já ouvistes algo muito mais doce ao pé do ouvido. D-eus não está longe. Ele é o sopro sutil e invisível que dá vida a tudo o que existe. Como o vento manso que lhe acaricia o rosto, impossível de prender entre os dedos, mas profundamente real ao ser sentido. Ele é a própria Inteligência Amorosa e a Causa invisível de cada pulsar de vida.
Se você bem reparar, verá a presença d’Ele sempre que o amor se mover. Ele está no abraço silencioso que acolhe, no carinho terno que une o amado a sua amada e naquele cuidado sem tamanho de uma mãe que acolhe o seu filho nos braços. D-eus é Espírito. Portanto, não é um espectador isolado das nossas dores. Ele é a própria Substância, aquilo que permanece firme e real por baixo de todas as formas passageiras da existência. É a Sabedoria que ensina as flores a se abrirem ao Sol e o Poder pleno que sustenta o caminhar tanto das abelhas quanto das estrelas e o compasso do nosso próprio peito.
Repouse os olhos sobre uma única gota de orvalho brilhando na folha de uma planta próxima à você.
Se você recolher essa pequena gota, ela parecerá frágil e pequena. No entanto, guarda em si os mesmos elementos fundamentais que constituem o oceano. Os elementos que a compõem são os mesmos que dão corpo à vastidão azul do mar aberto; o que muda é o grau em que essa mesma realidade se manifesta.
Assim somos nós. Cada um de nós é uma gota viva desse oceano divino. Mesmo quando a vida parece grande demais e nos sentimos pequenos ou cansados, trazemos gravada na alma a força e a essência inteira do Criador. Você não é um órfão no universo. A Fonte Suprema vive em você agora mesmo, renovando as suas forças a cada respiração. Nunca houve, e nunca haverá, separação entre a gota e o oceano.
Para caminhar com passos leves e sem medo pela Terra, lembre-se de que a sua existência é um templo, com três portas sagradas: o corpo, a mente e o espírito.
O corpo é a sua veste de argila, a casinha de terra que lhe permite tocar o mundo e sentir o calor do Sol. A mente é a janela onde os pensamentos passam como nuvens, a ferramenta preciosa com a qual escolhemos as nossa direções cotidianas. E o espírito é o santuário mais profundo e imutável, a própria centelha divina que brilha em seu centro. Ali, na quietude do seu Eu real, você pode fechar os olhos e reconhecer: eu e a Fonte da Vida somos um só.
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
Quando essa sabedoria amanhece em nós, todo o egoísmo pessoal se dissolve como a névoa sob o Sol. Passamos a olha para quem passa pela rua, o vizinho, o desconhecido, aquele que caminha sob outras dores, e percebemos que todos somos gotas de um mesmíssimo oceano. As fronteiras caem por terra e o coração compreende, finalmente, que somos todos irmãos e irmãs.
Agora, antes de mergulharmos no mês que se segue, guardemos alguns instantes em silêncio absoluto. E, após respirar calmamente, reflita:
- Como posso honrar a Fonte da Vida nas minhas escolhas de hoje?
- Como posso estender a mão e fazer o bem a quem cruzar o meu caminho?
Ao sair par ao mundo neste nono mês, leve consigo a sabedoria das pequenas abelhas. Não se enlaçam na antiga colmeia que ficou pra trás, nem temem a seca que se aproxima, apenas confiam na Inteligência invisível que as guia até o novo rumo ao seu novo lar, perto do frescor e da umidade.
Que você também possa trilhar o seu caminho com essa mesma confiança. Quando a vida exigir desapego e mudança, lembre-se de que a mesma Fonte única que orienta o enxame no céu é a que habita o seu peito, conduzindo seus passos em direção ao fluxo eterno de todo o Bem.
Siga o seu dia com a certeza de que a Fonte de todo o bem está ativa dentro de você.
Que a Paz seja convosco e com toda a humanidade. Paz e sempre Paz!
por J. Caraumã em “Reflexões Diárias”, 31 de agosto de 2026.