Lamento do Espantalho

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May 3, 2026
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Arte
Poesia
Caraumã
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O espantalho que um dia se apaixonou pela ave mais pura e bela de todo o campo de sementes de luz
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Lamento do Espantalho

Nascido para afastar. Era o meu nome, minha trama. O meu destino de palha. Mas tu vieste sem medo, Como vêm as coisas verdadeiras, E pousaste no meu ombro de madeira Como seu eu fosse um lugar seguro. Foi a semente mais gentil que o vento Trouxe a este campo. Senti o teu peso, que era quase nada, E guardei-o como se fosse o coisa mais preciosa Que em meu trapo já foi pendurada Cantaste de frente par ao sol E eu, com olhos de botão, feliz admirava. Voaste. É claro que voaste. Como se vão as coisas verdadeiras. As coisas belas não ficam. Foram feitas de outra matéria, De vento, de altura, de partir. E eu, um trapo de sorriso costurado, Fiquei com o oceano do adeus Afogando o meu olhar. E desde então Quando o vento passa Por entre meus braços abertos, Sempre abertos, Não sei se estou a espantar Ou para sempre a te esperar.
por J. Caraumã, em “Reflexões Diárias”, em 03 de maio de 2026.
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