O Pássaro e o Vento
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Jun 29, 2026
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Arte
Poesia
Caraumã
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O vento e a criança que brincam como dois passarinhos no quintal.
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O Pássaro e o Vento
Era uma vez Um menino vento. Todo dia, Sem faltar um só, Passava por quintal. Uma casinha de madeira, Lá morava Iramari. Os outros meninos Corriam o mundo. Iramari corria o quintal. Subia nas mangueiras, Conversava com as folhas, E ria quando o vento, seu amigo, Lhe eriçava o cabelo Quando tocava em suas mãos Era como se lhe emprestasse asas. Sempre vinha cedinho. Entrava pela janela. Balançava devagar A rede onde o menino dormia E lhe dizia bom dia Falando baixinho. E até depois do meio-dia Quando a quentura fazia Até o chão respirar devagar, Era a hora da brincadeira O vento que rodopia, Iramari acompanhava. Levantavam Folhas secas, poeira, E sorrisos. Até que um dia O menino perguntou: - Vento, como é voar? O vento fez um remoinho, Tocou-lhe em seu peito, E o fez voar. Na manhã seguinte A janela amanheceu aberta. A rede vazia. Somente algumas penas No quintal. Desde então, Quando dois passarinhos Brincam lá na Serra, Ou quando o vento Assobia no quintal. Dizem que um deles É A’sutun, O outro é um menino, Iramari, Que finalmente Aprendeu a voar.
por J. Caraumã, em “Reflexões Diárias”, 29 de junho de 2026.