O Sapo e a Estrela
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Jun 13, 2026
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Arte
Poesia
Caraumã
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Quem diria que, numa noite dessas, o sapo se apaixonaria pela estrela mais pálida do céu?
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O Sapo e a Estrela
Certa vez Ouvi falar de um sapo. Vivia bem assim. Da chuva. Do tempo fechado. Da lama que a noite molhava. Saía quando o céu escurecia de vez E alguns mosquitos caíam Bêbados da luz trêmula De uma casinha No meio do mato E no meio do nada Era suficiente. Mas um dia, o céu não chorou. O céu sorriu. Ele ficou ali parado. A olhar pra uma lâmpada ainda maior, Era a lua. Ao lado dela, Entre todas aquelas luzes Que ele não conhecia, Viu apenas uma. A menor. A mais quietinha. A que quase não aparecia. Pálida. Delicada. Ele amava vê-la. Parecia brilhar de longe Muito longe. E começou a cantarolar Cantou baixinho, Para não assustá-la. Canções de brejo, Canções pequenas, Canções de amor. E por muitos anos foi assim, Ela lá em cima, Quase branca. Ele aqui embaixo Quase verde. E desde então, Quando perguntam por que Canta olhando pro céu, Ele diz: Nem toda luz nasceu Pra iluminar o mundo, Essa nasceu Pra me iluminar.
poema de J. Caraumã, em “Reflexões Invernais”, em 13 de junho de 2026.